A Petrobras tomou a decisão estratégica de reiniciar sua fábrica de fertilizantes, antes inativa, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A diretoria estadual aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III).
Essa mudança de rumo está alinhada aos esforços do governo federal para aumentar a produção nacional de fertilizantes. O projeto, paralisado desde 2014, recebe agora um investimento de 3,5 bilhões de reais (625 milhões de dólares).
O Brasil, quarto maior produtor agrícola do mundo, depende fortemente de fertilizantes importados, sendo cerca de 87% das suas necessidades supridas por produtos estrangeiros. Para mitigar esta dependência, a Comissão de Agricultura do Senado aprovou o projeto de lei Profert em março de 2024, destinando 30 bilhões de reais (6 bilhões de dólares) para o setor até 2030.
Wilson Guilherme da Silva, diretor de programas de investimentos da Petrobras, anunciou que a busca por empregadores começará em novembro, priorizando empresas brasileiras. A construção deverá ser retomada em junho de 2025.
A UFN-III tem uma história complexa. Iniciada em 2011, sua construção foi interrompida em 2014 devido a problemas empresariais. Da mesma forma, a Petrobras mantém as instalações em boas condições, investindo R$ 3,9 bilhões e concluindo 81% da obra.
Devido à dependência do Brasil de fertilizantes importados, o projeto é crucial. A localização da fábrica é estratégica, próxima às principais regiões agrícolas do país. Utilizando gás natural e água, a planta produzirá fertilizantes essenciais.
Quando estiver em operação, a UFN-III produzirá anualmente 1,2 milhão de toneladas de uréia e 70 mil toneladas de amônia, vitais para culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão.
A previsão é que a planta entre em operação em 2028. Esse movimento reforça o interesse renovado da Petrobras no setor de fertilizantes, ajudando a reduzir a dependência externa e fortalecendo a agricultura nacional.

